Setor Cinema

 

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Sexta-feira, Abril 18, 2003

 
Quem sou: Meu nome é Felipe Boso Brida e moro em Catanduva. Para aqueles que não conhecem, Catanduva está localizada no interior do estado de São Paulo, a 55 quilômetros de São José do Rio Preto e a 360 quilômetros da capital, São Paulo. Sou formado em Jornalismo, professor de Comunicação no Senac Catanduva e pesquisador de cinema desde 1998. Mantenho a coluna de cinema "Cinema em Pauta" na revista Maxxi's desde setembro de 2007, além de escrever artigos para revistas especializadas e sites de cinema.

Trabalhos desenvolvidos na área de cinema: Iniciei, em maio de 2007, um ciclo de palestras sobre história do cinema em faculdades e instituições de ensino. Ministro palestras e mini-cursos de cinema em faculdades na região de Catanduva. Fui responsável por dois sites de cinema - Go!Cinema (1998-2000) e Webcena (2000-2003) - e estou preparando o site oficial do Setor Cinema. Em 2004 criei e organizei a cinemateca de curtas-metragens da UNIRP - Centro Universitário de Rio Preto. Tenho, registrado, mais de 3300 filmes analisados, além de um acervo de fitas, DVDs e livros sobre o assunto. Pretendo, a partir do primeiro semestre de 2008, iniciar a elaboração de um livro sobre a história do cinema.

Outros trabalhos: Ex-repórter no jornal Notícia da Manhã (por três anos) e na rádio Jovem Pan FM de Catanduva (por um ano). Atuei como repórter na revista do Clube de Tênis Catanduva, CTC Point, mantida pela agência de publicidade e marketing Casa Di Lavoro. Escrevo matérias especiais como colaborador para a revista Maxxi´s e para o site Antenadão, de Catanduva. Ex-assessor de imprensa da agência de publicidade e marketing "Ilumine Brasil".

Sobre o blog: O blog Setor Cinema completou quatro anos em abril de 2007. A participação dos internautas tem sido grande, e só tenho a agradecer aos leitores. Os textos desenvolvidos e postados aqui são de minha autoria. Procuro, com este veículo, abordar um amplo assunto que dificilmente podemos encontrar na internet: a história do cinema, com passagens essenciais para entender como se deu a criação e a ampliação das técnicas cinematográficas pelo mundo.
Dúvidas, comentários, pedidos ou críticas, o email para contato é felipebb@terra.com.br



SITE EM REMODELAÇÃO

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Os Períodos Cinematográficos

Com a invenção do cinematógrafo pelos irmãos franceses Auguste e Louis Lumière, o aparelho que captava imagens em movimento foi adquirindo mudanças intensas até chegar aonde chegou. Durante esse período de mais de 110 anos, o cinema pode ser dividido em 3 partes distintas: Cinema Antigo, Cinema Moderno e Cinema Contemporâneo.

1) CINEMA ANTIGO:

- Invenção do cinematógrafo (primeira câmera-projetor) pelos irmãos Lumière, em fevereiro de 1894;


Irmãos Lumiére criam o cinematógrafo em 1895

- Primórdios do cinema: Thomas Alva Edison cria o kinetógrafo, exibindo seu primeiro curta-metragem na Broadway (1895);
- No início do século XX, muitos dedicaram-se aos experimentos do cinematógrafo, tendo destaque Edwin Porter, George Melliès (uso do surrealismo, o "cinema mágico") e David W. Griffith (criador de planos montagens modernos e revolucionário da liguagem cinematográfica, como a criação de metáforas, planos abertos, planos de rosto e, sobretudo, cortes de cena para separar conflitos interrelacionados);
- O cinema, no período de 1895 a 1914, tem suas particularidades: curtas com imagens do cotidiano, estilo preto-e-branco (P&B) e mudo, ausência de roteiro esquemático, e uso de dramatização expressiva, sobretudo com planos fechados (rosto e cintura-rosto). Além disso, são encontrados alguns casos de cinema faroeste nessa época;
- Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), desenvolve-se a comédia em grande escala, para amenizar o clima de guerra à população, surgindo grandes nomes: Mack Sennett, Max Linder, Fatty Arbuckle, Ray Mckee, Ben Turpin, Harold Lloyd, Charle Chaplin, Billy Bevan, Buster Keaton, Stan Laurel e Oliver Hardy (a dupla O Gordo e o Magro), The Keystone Cops, Os Três Patetas, Os Irmãos Marx, ... Muitos destes artistas montaram uma "escola de cinema", chamada Slapstick Comedy (situações surreais dentro da comédia, surgindo daí o 'pastelão'), nos anos 20 e 30;


Três grandes nomes da comédia no cinema mudo: Ben Turpin, Harold Lloyd e Buster Keaton


- Na Alemanha, em 1919, cria-se o primeiro movimento cinematográfico, chamado Expressionismo Alemão (lançamento do hipnótico O Gabinete do Dr. Caligari), que tinha 3 vertentes de vanguarda: Futurismo e Surrealismo (1a. fase) e Realismo (2a. fase). Grandes diretores destacaram-se, como: F. W. Murnau, Fritz Lang, Robert Wienne, Josef Von Sternberg. E os filmes: Nosferatu, Metropolis, M - O Vampiro de Dusseldorf, Tartufo, A Última Gargalhada, O Homem que Ri, O Anjo Azul, etc... A atriz alemã Marlene Dietrich (1901-1992) foi descoberta e lançada pelo diretor Sternberg.
- Na mesma Alemanha, da mesma época (1919), surge, no plano histórico, a República de Weimar (1919-1933). Era um governo democrático - a constituição republicana foi promulgada na cidade de Weimar - dentro de um país recém-destruído pela Primeira Grande Guerra (além de tudo, o povo era humilhado e rendido pelas potências vencedores da guerra; também viram o alto índice do desemprego se alastrar pelo país). Durante a Weimar, cineastas desse país faziam filmes ligados à política, principalmente ligado ao Partido Comunista, mostrando o desemprego, miséria e as condições dos operários alemães. Filmes como "A Viagem de Mãe Krause para a felicidade" (1929), de Piel Jutzi, "Kuhle Vampe" (1932), de Slatan Dudow e "Berlin Alexanderplatz" (1931), de Piel Jutzi são os três grandes desse momento.
- Criação dos grandes estúdios de cinema, como Metro Goldwyn Mayer (MGM), Warner Bros., Fox Film (depois transformou-se em 20th. Century Fox), Columbia Pictures, Paramount, Universal Film, United Artists, RKO Pictures e outras menores;
- Surge o western-movie (faroeste) nos Estados Unidos (anos 10); nomes como Roy Rogers, Walter Breenan, Gary Cooper e John Wayne são os representantes do início dessa modalidade de cinema;



Gary Cooper (1901-1961) atuou em mais de 40 western movies em 40 anos de carreira


- Na URSS, que surgiu em 1923, temos o cinema crítico-revolucionário de Sergei Eisenstein, que realizou O Encouraçado Potemkin, Ivan - O Terrível, A Greve, Outubro, etc... Tinha, como pano de fundo, o momento da Revolução de 1917 (Revolução Russa, de outubro), mostrando a situção precária dos trabalhadores e do povo russo reprimidos pelos czares. Dava a idéia de união dos povos para lutar contra a desigualdade e por melhores condições de vida, gerando um cinema realista com grandiloqüência nos personagens centrais. Suas idéias ficaram conhecidas como "Construtivismo Russo";



"O Encouraçado Potemkin", clássico do cinema mudo que remonta o estopim da Revolução Russa, em 1905


- Na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), alguns diretores engajam-se contra a política fascista regente na época e criam um meio diferente de fazer filmes: surge o movimento do Neo-Realismo, que estendeu-se até os anos 60. Luchino Visconti, Vittorio De Sica e Roberto Rosselini, com seus ideais esquerdistas (marxistas), foram os criadores, realizando variados filmes como Obsessão, Ladrões de Bicicleta, Roma - Cidade Aberta, Stromboli, Paisà, E a Terra Treme, Alemanha Ano Zero, Vítimas da Tormenta, entre outros.

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De Sica dirige "Ladrões de bicicleta": problemática social na Itália pós-guerra


- Na EUA dos anos 40, inicia-se o estilo de filme noir, técnica que consistia em: sombras bem modeladas, gênero drama e policial, personagens conflitantes (o homem é colocado como um sofredor e psicologicamente abalado, e a mulher, misteriosa e perversa) e baseado em princípios do cinema noir francês (anos 30). Diretores como Robert Siodmak, John Huston, Jean Renoir (França) e Edward Dmytrik se destacaram. E os filmes, como Deportado, Os Assassinos, O Falcão Maltês (intitulado também de Relíquia Macabra), A Besta Humana, Beijos que Escravizam, Pacto de Sangue, etc...

2) CINEMA MODERNO

As câmeras modernas atingem seu auge quando conseguem, ao mesmo tempo, utilizar o som e a cor. Essas são as diferenças básicas para a nova classificação que surge. A formação dos grandes movimentos do cinema encontram-se aqui.

Na França, alguns diretores, no período liberal da New Wave, utilizam a mistura erotismo-realismo e o personagem rebelde-marginal em seus filmes, criando o movimento Nouvelle Vague, no final dos anos 50. Os principais nomes são François Truffaut, Alain Resnais, Claude Chabrol, Jean-Luc Godard e Louis Malle; e os filmes Acossado, Os Primos, Os Incompreendidos, Hiroshima Meu Amor, Os Amantes, O Ano Passado em Marienbad etc.


Jean Seberg e Jean Paul Belmondo caminham nas ruas de Paris em "Acossado" (1959)


Baseados nos preceitos do Neo-Realismo Italiano, brasileiros adotam algumas medidas e criam o movimento Cinema Novo. Essa forma de cinema, na metade dos anos 50, e principalmente feitos no RJ e BA, dá-se por 3 fases:
- Fase Experimentalista: chamado também de Pré-Cinema Novo; o Brasil estava voltado, desde 1941 com a fundação da Companhia de Cinema Atlântida, para as chanchadas, que era um estilo de filme sem compromisso com a verdade e a realidade (os filmes eram alegres, divertidos, Carnaval, danças e ritmos). Nelson Pereira dos Santos, pensando na país "pobre, miserável", realiza dois filmes, Rio 40 Graus (1955) e Rio Zona Norte (1957). Ambos relatam a vida de marginalizados, dançarinos de rua, malandros e outros estereótipos dos morros cariocas.
- As técnicas se difundem e a Segunda Fase (auge) torna-se mais "violenta" em relação ao Brasil da época (fome e miséria, tendo o governo como "pano de fundo"), nos anos 60. Os filmes começam a ser mais descomportados (no sentido de anti-subjetivismo e anti-idealizador) e complexos. Veja a relação diretor-filmes: Roberto Pires (Tocaia no Asfalto e A Grande Feira), Glauber Rocha (Barravento e Deus e o Diabo na Terra do Sol), Ruy Guerra (Os Cafajestes e Os Fuzis), Cacá Diegues (A Grande Cidade), Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas e Boca de Ouro), Paulo César Saraceni (O Desafio), entre outros.
- Num plano político: sai Costa e Silva em 1969 e entra, na presidência, Gal. Emílio Garrastazú Médici (1969-1974), que marca a época do "Brasil: ame-o ou deixe-o"; o cinema engajado não poderia nem ser pensado. Surge, um pouco antes disto tudo, o Movimento Tropicalista (1968) e o AI-5 (posto em prática em Dezembro de 1968), enfraquecendo o Cinema Novo, que atinge sua Terceira Fase (decadência). Há um desprendimento das correntes próprias do início do movimento e o colorido atinge as películas. Cacá Diegues realiza Os Herdeiros (1970) e Joaquim Pedro de Andrade faz Macunaíma (filme-símbolo do Tropicalismo, em 1969). O diretor Rogério Sganzerla (1946-2004) entra para o grupo 'Cinema Marginal' (veja abaixo) e rompe de vez com o movimento ao filmar O Bandido da Luz Vermelha (1969) e Roberto Carlos atua na trilogia: Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, Roberto Carlos e o Diamente Cor-de-Rosa e Roberto Carlos a 300 Km Por Hora. Muitos filmes sobre sertão (cangaço, jagunços, matadores) são realizados, como Os Senhores da Terra, Corisco - O Diabo Loiro, etc...
- Outros diretores representantes do Cinema Novo: Leon Hirszman, Paulo Cesar Saraceni, Miguel Borges, David Neves, etc...


Nelson Xavier em cena de "Os fuzis" (1964), clássico do Cinema Novo, dirigido por Ruy Guerra


Paralelo ao Cinema Novo, é formado no Brasil o movimento "Cinema Marginal" (tambem conhecido como 'Cinema Underground' ou ainda 'Udigrudi') que vai de 1969 a 1973. Os filmes eram feitos no Rio de Janeiro e parte de São Paulo (nesta, ficou conhecido como "Cinema Boca do Lixo"), . Os jovens diretores estavam preocupados em mostrar os novos costumes da sociedade, o lado dos marginais e contestação de valores adotados, deixando de lado a parte política. Uma nova linguagem e modo de filmagem aparecem. Diretores como Ozualdo Candeias (filme A margem), Júlio Bressane (filme Matou a família e foi ao cinema), Rogério Sganzerla, Andrea Tonacci, Neville D'Almeida, Carlos Reichenbach Filho, José Mojica Marins e Ivan Cardoso. O diretor Braz Chediak realiza 'Navalha na carne' e 'Dois perdidos numa noite suja', que caracterizam bem esse movimento.

A Inglaterra, na década de 60, entra na moderna produção de filmes, alguns com temas de aventuras históricas e outros com mais realismo interpretativo, desenvolvendo um movimento não muito famoso, Free Cinema, baseado em preceitos da Nouvelle Vague francesa. Os 3 fundadores deste foram: Lindsay Anderson (1923-1994), Karel Reisz (1926-2002) e Tony Richardson (1928-1991). Eram jovens que tinham formação em teatro e queriam uma independência ao padrão rígido e tradicional do cinema que até então era feito. Outro nome importante foi John Osborne (1929-1994). Os Estados Unidos formam, nesse período, a Escola de Nova York, voltada às produções de cinema em larga escala.

Com um cunho mais participativo, os EUA, no pós-Woodstock e no fim da Guerra do Vietnã - que terminaria por volta de 1974 -, integra os negros ao cinema, os quais fazem parte da Blaxploitation, um movimento menor. Nomes como Richard Roundtree (o eterno Shaft, de 1970), Pam Grier, William Marshall e o músico Isaac Hayes são importantes nesse período.


3) CINEMA CONTEMPORÂNEO

A Revolução Digital e o Teen Movies (cinema voltado para os jovens), nos anos 80, são decisivos para essa nova geração de filmes.

- Revolução Digital: a computação gráfica (CG) é a marca fundamental desta técnica. Filmes como: a trilogia de Matrix (Matrix, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions), Jurassic Park, O Mundo Perdido - Jurassic Park, Jurassic Park 3, Final Fantasy, Evolução, Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma, Star Wars - Episódio II: O Ataque dos Clones, Gasparzinho - O Fantasminha Camarada, Toy Story, Toy Story 2, Vida de Inseto, Monstros S.A., Cassiopéia, Procurando Nemo, O Espanta Tubarões, entre outros.


Produzido pela Pixar, a animação "Vida de inseto" (1998) recebeu indicação ao Oscar na categoria melhor canção


- Teen Movies: o cinema é voltado para um público infanto-juvenil (aquela fase crítica, na faixa entre 12 e 18 anos).
1a. Fase - esse período inicia-se nos anos 80 e estende-se até meados da metade da década de 90.
Os filmes são criativos e agradáveis, quase sempre predominando o gênero comédia e aventura. Filmes como: Tal Pai Tal Filho, Vice-Versa, De Volta para o Futuro, De Volta para o Futuro 2, De Volta para o Futuro 3, Curtindo a Vida Adoidado, Metido em Encrencas, Quero Ser Grande, Os Goonies, Esqueceram de Mim, Esqueceram de Mim 2 - Perdido em Nova York, Deu a Louca nos Monstros, entre outros.
2a. Fase - os filmes, feitos na segunda metade da década de 90 (e feitos até hoje em grande escala); são abusados e a comédia, que é o gênero principal, é apresentada de forma grosseira, desagradável e escatológica. Filmes como: American Pie - A Primeira Vez É Inesquecível, American Pie 2 - A Segunda Vez É Ainda Melhor, American Pie - O Casamento, Todo Mundo em Pânico, Todo Mundo em Pânico 2, Tudo Para Ficar com Ele, 100 Garotas, 10 Coisas que Eu Odeio em Você, Josie e as Gatinhas, Histeria, O Império do Besteirol Americano, Não é Mais um Besteirol Americano, ...

- Década do Terror: conhecido também como "slasher-movie" ou "filmes-açougue" (em relação às cenas de esquartejamento e o excesso de sangue), é englobado, também, como parte do cinema voltado aos adolescentes; após ser feito Halloween - A Noite do Terror (1978, de John Carpenter), muitos diretores utilizam aquela idéia de "um psicopata trucida pessoas, principalmente jovens em acampamentos", colocando cenas de extrema sanguinolência. Filmes como: as continuações de Halloween (se não me engana são oito), Sexta-Feira 13 e suas nove continuações, A Noite das Brincadeiras Mortais, Dia dos Namorados Macabro, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Lenda Urbana 1 e 2, Pânico e suas duas continuações, A Sociedade dos Amigos do Diabo, O Dia do Terror, Comportamento Suspeito, entre outros.


"Halloween - A noite do terror" (1978) criou escola: psicopatas mascarados trucidando jovens


- Retomada do cinema brasileiro: com a decadência da Pornochanchada (aproximadamnete em 1982-1984), o nosso cinema passou por uma época de quase dez anos (1983-1992) de "decadência da produção nacional", com filmes superficiais e de influência musical. Outro problema surgiu com a entrada de Fernando Collor de Mello na presidência (1989), pois ele fechou a Embrafilme (uma das maiores produtoras até então), evitou patrocínios e incentivos ao cinema (gerou-se daí as muitas produtoras independentes). Em 1994, com o filme Carlota Joaquina - Princesa do Brasil (de Carla Camurati, ex-atriz da Pornochanchada), o Brasil retorna com força total, através da valorização e grandes incentivos para esse tipo de atração. É o período da "retomada", que estamos até hoje vivendo. Alguns filmes: O Quatrilho, Central do Brasil, O Que é Isso, Companheiro?, Castelo Rá-tim-bum - O Filme, Bellini e a Esfinge, Caramuru - A Invenção do Brasil, O Auto da Compadecida, O Dia da Caça, Cidade de Deus, Sexo, Amor e Traição, Os Normais - O filme, Desmundo, ...

Cult-movies (Irã): baseados na técnica do neo-realismo, é o movimento com maior número de adeptos e encabeça o país no ranking de 2º maior produtor de filmes do mundo, seguido da Índia, a campeã. Produzem uma média de 500 filmes por ano e, destes, somente 7% chega ao Brasil em dvd e vhs. O modo de produção iraniano começou no início dos anos 80 e possui grande relação com a História do país. Quem governava o Irã, na década de 70, era o Xá Reza Pahlevi, que tinha estreitos laços com os norte-americanos. Em 1979, ele é deposto pelo Aiatolá Khomeini, que promoveu a Revolução Xiita no país, criando o terrorismo usado pelos seguidores assíduos do Alcorão. Como Khomeini não permitia a ocidentalização em nenhum setor do país, o cinema não era praticado por lá. Surgem, a partir dá década de 80, muitas produtoras independentes, com diretores engajados em mostrar a situação que vivia o povo iraniano, em geral. Eles usam luz natural (não-artificial), artistas amadores, paisagens desérticas, cultura local e crítica fervorosa à situação das mulheres no país. É o chamado "cinema da verdade, tristeza e da melancolia humana". Alguns nomes: Mohsen Mulkmalbaff, Samira Mulkmalbaff, Jafar Panahi e Abbas Kiarostami. Os principais filmes são: Gabbeh, O Jarro, Filhos do Paraíso, A Maçã, O Caminho de Kandahaar, O Balão Branco, Através das Oliveiras, etc... O país só teve o "boom" de reconhecimento a partir de 1995/1996.

Dogma 95: é o mais recente manifesto cinematográfico, fundado em Copenhage (Dinamarca). O número 95, que acompanha o nome do movimento, faz referência ao ano de fundação (1995). Os diretores e produtores utilizam o modo de "retorno à simplicidade técnica", ou seja, usam as técnicas de atores amadores (sem a "falsidade" artística dos galãs e estrelas), nada de truques, luz ambiente natural (não-artificial), câmera, na maioria das vezes, sem equipamentos, como tripé e grua, tudo feito nos ombros (com isso, percebe-se uma imagem meio tremida). É o resgate das raízes do cinema. O diretor Lars Von Trier foi o pioneiro da técnica e realizou os filmes Karakter e Dançando no Escuro. Outros diretores: Thomas Vinterberg e Kristian Levring. Outros filmes: Festa em Família, Os Idiotas, Italiano para Principiantes, Mifune, O Rei Está Vivo etc.

Sexta-feira, Abril 11, 2003

 
Michael Cacoyannis: Promovendo a cultura grega no cinema mundial



O diretor e suas características:
Nascido em Junho de 1922, em Limassol (Chipre), com o nome Mihalis Kakogiannis, o diretor, que desenvolveu o cinema grego nos anos 60, tornou-se um ícone grandioso, hoje esquecido. Seu estilo era único e inimitável: utilizava fotografias naturais da Grécia como ponto de partida das histórias realistas, os personagens eram humildes e esperançosos, valorizava as músicas e as danças típicas do local, além de propor finais fatalistas e/ou pessimistas.
Fez uma parceria com o músico Mikis Theodorakis (1925-), realizando Zorba - O Grego, Ifigênia e Electra - A Vingadora, além de George Foundas (1924-), ator preferido de Cacoyannis.
Trabalhou como ator (não creditado) em dois filmes: numa pequena participação em César e Cleópatra (1945) e Uma Questão de Dignidade (1957). Além disso, foi editor e produtor de muitos dos seus filmes.
Seu último trabalho foi The Cherry Orchard (1999). Atualmente está afastado das telas.

Principais filmes:

Stella (1955)
Elenco: Melina Mercouri, George Foundas, Alekos Alexandrakis, Voula Zouboulaki, Dionyssis Papayannopoulos.
Sinopse: Stella é uma cantora de vila que começa um relacionamento amoroso com um homem que mora no mesmo local.
Características: Drama com toques de romance, problemas socias envolvendo a população e final trágico.

A Mulher de Negro (To Koritsi me ta mavra - 1956)
Elenco: Ellie Lambeti, Dimitris Horn, George Foundas, Eleni Zafiriou, Stephanos Stratigos.
Sinopse: O drama mostra a vida de Marina, moça que, ainda abalada com a morte da irmã, vive vestida de negro e dificilmente mantêm contato com outras pessoas.
Características: Melodrama, sentimento de angústia totalizante nos personagens e notável agilidade na direção.

Uma Questão de Dignidade (To Telefteo psemma - 1957)
Elenco: Ellie Lambeti, Michalis Nikolinakos, Eleni Zafiriou, Dimitris Papamichael, Athena Michaelidou.
Sinopse: Chloe precisa ajudar sua família pobre, então é forçada a se casar com homem rico, mesmo estando apaixonada por outra pessoa.
Características: Drama grandiosamente emotivo, vingança como meio de sair dos problemas e final inesperado.

Electra - A Vingadora (Ilektra - 1962)
Elenco: Irene Papas, Yannis Fertis, Aleka Katselli, Theano Ioannidou, Notis Peryalis.
Sinopse: Baseado na mitologia, a história mostra a trajetória de Electra, mulher que se une ao irmão desaparecido para vingar-se do assassinato do pai.
Características: Um dos filmes mais densos do diretor, saindo de sua linha habitual, criando uma atmosfera perturbadora e incrivelmente mágica. Papas está num papel sinistro e marcante com seu cabelo quase raspado (o close no olhar dela, em várias situações, representa tudo o que se passa com a personagem).

Zorba, o Grego (Alexis Zorba - 1964)
Elenco: Anthony Quinn, Alan Bates, Irene Papas, Lila Kedrova, Sotiris Moustakas, George Foundas, Anna Kyriakou.
Sinopse: Basil é um escritor inglês que vai conhecer a Ilha de Creta. Lá, envolve-se com um sujeito excêntrico, Zorba e suas idéias magníficas.
Características: Drama suntuoso, com belas paisagens das praias gregas; o final é pessimista, mas sugere aquela idéia de "que nunca devemos deixar de lado os nossos sonhos, sempre tentando chegar ao topo" e um pouco do carpe diem (aproveite o momento; não deixe para depois). Considerado o melhor filme do diretor, tornou-se um clássico, reunindo um elenco excepcional: Bates (1934-2003) no início de carreira, Quinn (1915-2001) no seu auge, Papas, numa pequena e marcante participação, e Kedrova (1918-2000), interpretando a cômica Madama Hortense, na qual levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por este filme (e que considero uma das melhores interpretações femininas no cinema). Ganhou também os Oscars de direção de arte e fotografia.


Anthony Quinn e Alan Bates dançam na praia. Trilha sonora de Mikis Theodorakis entrou para a história.

Outros filmes do diretor: Eroica (1960), The Trojan Women (1971), Ifigênia (1977), A História de Jacó e José (1975), The Cherry Orchard (1999), entre outros.